Exma. Senadora Lídice.
A senhora não está entre os piores senadores na minha avaliação, mas entretanto perde prestígio ao afirmar, como fez nesta tarde em rápido pronunciamento no Congresso, que o governo de Dilma não está em crise neste momento, e, que a conjuntura política (foi assim que entendi) é que está em crise, precisando melhorar sua performance... Obvio ululante a necessidade de melhorar. Mas daí até se dizer que não há crise governamental, Senadora, vai uma distância impossível de ser medida. Nunca vi crise mais séria que a que este governo incompetente está metido juntamente com o congresso até o último fio de cabelo. A inflação, por exemplo, está voltando a passoas largos, o endividamento das famílias já é algo assustador, a Saúde está encostada nos barrancos, a Educação idem, a Segurança Pública inexiste e a Senadora nos diz que não há crise? O pânico do governo é tão sério que o Congresso especulou na semana passada, segundo o Correio Braziliense, a instituição emergencial do Estado de Defesa (que outra coisa não é senão decretar estado de sítio) para conter o legítimo movimento social. Isto, dizem, poderia ser feito por 30 dias, podendo ser prorrogado sucessivamente... Que desagradável seria, não? Só para não dizer gravíssimo.
Penso que vivemos numa democracia (embora com partidos como o PT & cia, o termo democracia não passe de retórica), porém, tenho a perfeita consciência de que a nossa democracia sofre pressões impostas pelo poder executivo ao ponto de querer amordaçar a imprensa. Aliás, se o próprio Congresso nacional que deveria ser o legítimo representante do povo, surgere um Estado de Defesa, quem vai me convencer ao contrário de que nem o Congresso e nem o governo estavam pouco se importando com o povo e por isso faziam o que bem queriam e entendiam já que nada acontecia? Mas agora acontece, o Brasil está mudando, Senadora Lídice, e Brasília ainda não viu nem um quinto (para não exagerar) do que este povo é capaz de fazer. E tenha certeza de uma coisa importante, muito importante; não é o povo da famigerada "bolsa-família" que está nas ruas... É o povo da cidade, o povo mais esclarecido, o povo que não aguenta mais com tanta escorcha, corrupção e descaso dos políticos -- haja visto a imposição goela abaixo do povo, com o Senador Renan Calheiros sendo conduzido à presidência do Senado...
Fomos às ruas, ordeiramente, protestar, exigir e, também, proibir as bandeiras de partidos que lá estavam, inicialmente, como de costume aparecem à procura de votos assim que algum movimento é deflagrado no Brasil. Mas este movimento de agora é abertamente social e nem precisa ser dito que não cabe nem a bandeira do seu partido e nem de nenhum outro qualquer, Senadora. Estamos diferentes, e chegamos para resgatar a nossa Pátria amada, este é um CONGRESSO social, diferente, mesmo o governo infiltrando desordeiros na multidão para tentar desqualificar a ordem que parte do povo, este sim, sem maiores anseios que não seja a liberdade para um Brasil idôneo e livre da ignorância que deságua nessas esmolas "bolsistas" que só criam e procriam o que não presta, bem como desses discursos da maioria esmagadora dos senhores políticos viciados na "arte" de enganar -- salvo honrosas exceções. Todos os políticos sabem disso, mas quase todos eles calam essa verdade porque ela fere seus interesses.
Então, Senadora, é bom que os congressistas não olvidem o aviso dado pelas ruas das cidades brasileiras porque o Brasil nunca mais será o mesmo de antes desses movimentos sociais que acabam de tira-lo do berço esplêndido. As futuras eleições neste país serão bem mais interessantes porque amadurecemos o bastante para saber que partido político não é time de futebol para se ficar torcendo por ele, que a falsa simpatia do Lula era apenas engabelação, fraude, por assim dizer mais apropriadamente. Melhor será o Congresso mudar de atitudes e de hábitos, porque senão mudaremos ele com o clamor das cidades através das ruas e avenidas.
Patrioticamente,
Djalma Gomes
